quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Quarto Escuro


De repente sobra vc num quarto escuro. Não importa se essa ou aquela magia só existe aqui dentro, ela não precisa existir lá fora. O que importa é: ela existe. O abstrato é a única composição que não se limita, nem em dimensões. Afinal, um abstrato pode doer fisicamente.

Não existem espectadores, não existem ângulos nem enquadramentos, tampouco reciprocidades. Existem expectativas, acalme-as em seu tempo. É só vc e seu quarto escuro dentro de uma circunstância individual. Qualquer coisa diferente disso perde a honestidade indispensável.

Existe uma viagem interna repleta de imagens e sensações que este abstrato oferece. São suas, somente suas. Sorria, dance, caia, abra os braços, vá aonde o espírito pode chegar em suas inspirações, entre no ritmo, corra para o canto da parede, encoste a testa na ponta do joelho, se embarace nas próprias pernas, toque cada poro, sinta e seja o que bem entender. Este quarto escuro está aí perdido; encontre-o.

Quando a música acabar e a "vibe" passar, todas as lembranças do que aconteceu serão a própria reflexão do espírito, repleto de bagagens adquiridas de alguma forma e em algum momento desta viagem. Aprecie descobrir quem se é e o que não se quer ser.

Importante: nada de meios artificiais, o autoconhecimento mais incrível não é necessariamente o mais alucinógeno/intenso, mas o mais praticado e constante. Livre é quem aprende a viajar sem amuletos. Aliás, há mecanismos suficientes que podem ser acionados com, por exemplo, uma boa música, memória, meditação... O que vem de fora pode extrapolar justamente o que precisa ser dosado. Não perca o controle, a  ideia é desenvolver equilíbrio nesta imensidão, e isso requer paciência, desprendimento.

Sem equilíbrio, o mundo pode ser um ralo por onde escorrem nossas melhores versões. Não se espante ao descobrir que as fantasias existem com muito mais frequência fora do quarto escuro também.

O problema geralmente está em admitir essa realidade, pois fantasia é realidade, sim!O problema é que as pessoas fazem de tudo para que isso seja mantido em silêncio, em controle total.

Tudo é feito para nos convencer de que o abstrato não é bom, ou normal, enquanto que, na verdade, tudo gira em volta dele. As pessoas costumam ter medo da liberdade e do que se pode fazer com ela, quando não pavor de não encontrarem a capacidade de filtrar suas próprias polaridades e maneiras de as dimensionarem, e aí tentam racionalizar ao máximo, mergulhando na maior utopia de todas: aparências. Geram conflitos. Sofrem por medo de sofrer. Não se permitem, apenas se moldam.

A intensidade das coisas está na forma como elas são absorvidas.

Por fim, é incrível como os seres podem ser tão livres e mesmo assim se aprisionam. É insegurança? Ingenuidade? Mergulham nas opiniões alheias, aptas a devastarem qualquer quarto escuro com a promessa de aceitação.

Cuidado com a autossugestão. própria e alheia.

Decidi correr por campos, saltar por vales, redescobrir paisagens em seus detalhes e vivenciar os ciclos de mim mesma até que se esgotem as possibilidades dessa passagem, ou até que minhas forças se esvaiam. Aceitar que perder e sangrar não significa interromper, apenas atravessar.

Saber lidar sem perder magia. Ousado, não?

A honestidade dessa escuridão é que torna a luz de qualquer força atraente.



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Enfrentamento

Quase era tarde, quase.
Mas percebi que as rugas esticavam
Cada linha continha um verso
Cada verso uma sensação
Por mais que o esquecimento fizesse sua arte
As rugas estavam ali
De cada sol, cada vento, cada dia
Todas as dores, todos os medos
E a solidão que ainda sinto
A vista já não é a mesma
Vejo mais com a alma
Sinto mais com a essência
Respeito mais o tempo
Pois sou parte dele e ele de mim
Essa casca que hoje me molda
É perecível, vai se embora
Dela vou me libertar, com toda gratidão
Colhendo tudo que plantei até chegar aqui
Se há um conselho, posso dizer:
Invista no que se leva
Pois beleza passa, dinheiro perde valor
Não se atreva a deixar de dançar por vergonha
A lembrança é mais rica que a admiração passageira
Desconfie de elogios
Pois os verdadeiros são feitos em silêncio
Nesse mundo de competição
Quase era tarde, mas lembrei que o tempo é infinito
Um ciclo, uma onda que vai e vem
Eu vou e voltarei também
E quando voltar, espero trazer as linhas desse corpo na alma
Que ela seja mais livre e honesta, sem tanta vaidade
Que ela sinta esse sopro de eternidade que agora me acalma
Para que não deixe de viver com simplicidade
Deixem rir, deixem falar
Só não se pode perder a chance de fazer valer a pena
Pois um dia o que servirá de cobertor
É a consciência plena e a sensação da experiência
E nessa hora cada cicatriz
É a prova de que sou capaz de superar
Ser feliz requer saber lidar com a dor.



sábado, 19 de setembro de 2015

Geração X + Y + Z = A l p h a!



Olá, pessoal! Começo este novo post com uma pergunta: você aí já se pegou comparando a educação tida em sua infância com a que crianças de hoje em dia recebem? Não me refiro somente às regras em si, mas,  principalmente, aos meios e disponibilidades existentes.




Essa comparação de passado X presente é muito interessante, e pode nos levar a reflexões e descobertas incríveis!

Muita gente costuma brincar que daqui a algum tempo crianças nascerão sabendo falar, tamanha rapidez com que começam a interagir com os meios e ferramentas tecnológicas. Ao mesmo passo, há quem jure, principalmente titias e vovós, que bebês de antigamente demoravam até vinte dias para ao menos abrirem os olhos! Daí surge uma intrigante questão: afinal, o que mudou?






Pois, bem. Andei pesquisando e descobri algumas respostas um tanto quanto curiosas sobre essa garotada que tem deixado muito marmanjo no chinelo quando o assunto é "sagacidade eletrônica". 

Para estudiosos do assunto, bebês nascidos a partir de 2010 fazem parte da GERAÇÃO ALPHA,  versão mais otimizada das famosas "Y" e "Z", das quais muito provavelmente a maioria dos leitores daqui faça parte. Fato é que essa "moderna" galerinha tem dado o que falar, e a frase que mais se ouve é: "essa criança é muito esperta para a idade que tem!". Então, alguma familiaridade? Se sim, estamos no caminho certo!




ASPECTOS E EVOLUÇÃO DAS NOSSAS GERAÇÕES:


  • GERAÇÃO X: nascidos no final da década de 60  e início  da de 70 (homens e mulheres chegados logo após a Segunda Guerra Mundial). Essa geração vivenciou no Brasil acontecimentos marcantes como as "Diretas Já" e o fim da Ditadura. O ponto alto de suas qualidades: "a sede por conhecimento é uma das principais características dessa juventude. Em relação às suas preferências, querem serviços atrativos. Diferente dos jovens de décadas anteriores, a gerção X tem espírito empreendedor e é autoconfiante, e propõe desafios próprios para estabelecer formas diferentes de como fazer alguma coisa".

  • GERAÇÃO Y: "folgados, distraídos, superficiais e insubordinados são os adjetivos menos simpáticos para classificar os nascidos entre 1978 e 1990". Concebidos na era digital, democrática e de revisão intensiva de valores sociais, estes se caracterizam pelo vigor com que se adaptam às mudanças e reavaliam seus conceitos. Desempenham papel mais dinâmico, que por vezes confronta com o ritmo e estilo dos nascidos na geração anterior (principalmente quando essa relação se dá entre chefe e subordinado). Desprendidos, alternativos e capazes de lidar com múltiplas tarefas simultaneamente, são hoje os que trocam de emprego mais facilmente, estão sempre em busca de inovações e se moldam melhor à realidade global, tomada por constantes transformações.

  • GERAÇÃO Z: neste momento já estamos falando de uma rapaziada inserida à internet desde o nascimento. "A grande nuance dessa  geração é ZAPEAR, daí o Z". Garotos e garotas dessa leva conseguiriam conceber um mundo sem computadores, jogos, chats, chips e celulares? Dificilmente! Para eles,  a noção de tempo/espaço é diferenciada, já que fronteiras são quebradas num click e a facilidade de intercâmbio geográfico e digital é a maior já vivenciada. A convivência com múltiplas culturas e o sentido de interatividade constituem uma faca de dois gumes na forma como experimentam suas emoções: "tão perto dos que estão distantes, tão distantes dos que estão perto".



Finalmente chegamos à Geração Alpha. Peço, porém, que façam uma pausa e tentem lembrar de alguma foto ou fato em que seguram um chocalho daqueles antigos (não que deixem de existir atualmente). Feito? Agora remetam suas lembranças a um de seus pequenos com um celular ou tablet na mão, dominando ações e funcionalidades totalmente destemidos e à vontade. Pois é! Isso pode significar que o mundo evolui, e os habitantes dele também! Parece assustador, mas faz parte de um processo natural e potencialmente ininterrupto.




Para especialistas, esta geração é de fato a mais evoluída e, consequentemente, mais inteligente. Há sobre essa tese  um documentário, e fica a sugestão para quem queira se aprofundar: Alpha - A Nova Geração. Em trecho extraído da revista Pais&Filhos, a psicóloga Fernanda Fúria atenta para o fato de que "nosso cérebro está mudando, estamos ficando mais capazes". As escolas do futuro, por exemplo, não serão as mesmas. Estima-se que a tendência é que nosso ensino seja customizado, respeitando as peculiaridades de cada perfil, e o professor passará a ser uma espécie de mentor, com aulas baseadas em projetos. Futurista demais? Isso é só o começo!


Notícias como "Criança de 5 anos é aprovada em exame de certificado da Microsoft" estão se tornando cada vez mais comuns. E de onde vem essa bagagem de conhecimento, já que sequer há tempo de vida suficiente para se alcançar tal façanha pelo meio comum de uma formação acadêmica? "Seu pai, Asim Qureshi, consultor na área de TI, conta que começou a ensinar computação ao filho quando ele tinha três anos. 'A criança brincava com computadores antigos para entender conceitos como o de disco-rígido e de placa-mãe. Então comecei a alimentá-lo com mais informação, explica o pai' ". De acordo com a matéria (link), "o uso excessivo de computadores nessa idade pode ter efeito negativo, mas, no caso de Ayan, ele aproveitou uma oportunidade". 





Em casa, as relações tendem a ser cada vez menos verticais. Isso quer dizer que a troca entre pais e filhos será maior à medida em que a independência intelectual avance. "A gente ainda é a figura da autoridade, mas isso não quer dizer autoritarismo. Temos que passar valores, ética", concluiu Fernanda.



DICA: buscar equilíbrio sensato, sem radicalismos doentios, já que é plenamente possível conciliarmos a capacidade que nossos "alphinhas" têm em dominar máquinas, mesmo que com pouca idade, fazendo bom uso delas, com os velhos e bons momentos ao ar livre. Nada impede que continuem correndo, caindo, levantando, sujando as mãozinhas de terra, aprendendo a andar de bicicleta, fazendo suas artes, conhecendo amiguinhos em parquinhos e tantas outras vivências sem deixarem de exercitar suas surpreendentes aptidões tecnológicas.







quarta-feira, 16 de setembro de 2015

PARTICIPEM!

Olá, galerinha! Em especial papais, mamães, titios, titias, padrinhos, madrinhas, professores e amigos!

Este espaço foi criado para estimularmos a arte nos pequeninos e, quem sabe, descobrir algum talento, bem como trazer informações, textos, dicas e tudo mais que possa contribuir para o desenvolvimento psíquico-motor da garotada. Aos poucos definiremos contornos e aperfeiçoaremos nosso conteúdo. Por isso, sugestões são super bem-vindas!

I M P O R T A N T E:

* Vamos falar do PROJETO > "Publicações de Artes"


  • Como funcionará? Qualquer criança de até 12 anos poderá participar! O responsável escaneia e envia para meu e-mail (lacerdanena@gmail.com) o desenho ou pintura no papel. No caso de pintura em quadro, a foto da mesma, mas que seja nítida. Junto ao arquivo, é importante que sejam mencionadas as seguintes informações: nome, idade, cidade dos autores,  escola/série (opcional) e, se for o caso, dizer se a criança participa ou já participou de algum curso de desenho ou pintura.

    Tal projeto tem como ideia inicial fazer com que a criançada se sinta prestigiada. Futuramente, se tudo der certo,  abriremos portas para uma exposição que contemplará os trabalhos e seus respectivos artistas.

    Não haverá foto dos pequenos, por segurança!!
OBS: com o recebimento dos arquivos, haverá uma publicação especial no blog, no dia 12/10 (dia das crianças)!!


Desvendando os benefícios


Com o intuito de compreendermos melhor os benefícios da expressão de nossos pequenos, vamos captar alguns detalhes importantes que poderiam passar imperceptíveis. Tomaremos aqui um olhar mais aprofundado sobre esta brincadeira séria a fim de que não só possamos nos inteirar da relevância deste desenvolvimento, mas, sobretudo, embarcar ainda mais entusiasmados neste universo tão maravilhoso.

Depois de algumas pesquisas, a conclusão é plena: desenhar ajuda e muito na percepção, inteligência, raciocínio e até na emoção das crianças. 






"No começo, o que fica no papel são alguns rabiscos sobrepostos em várias camadas. A mão tenta equilibrar o lápis, ainda sem muita firmeza, e o limite físico da folha é quase sempre ultrapassado. Tudo é espaço para a expressão e não há limites para o movimento. Uma parede vazia, o assento de um sofá e até o próprio corpo viram lugares para o registro dos primeiros traços..." 


O que pouca gente sabe, aliás, é que estes primeiros passos recebem o nome de GARATUJA, que é quando "a criança está mais interessada no efeito surpreendente que produz ao passar o lápis sobre o papel do que em representar qualquer coisa. Predomina a imaginação" (suas carinhas tão orgulhosas quando nos mostram o resultado de suas criações devem ser recompensadas com o mesmo brilho! ).

Vamos agora conhecer alguns aspectos interessantes dessas obras artísticas:

" - O desenho conta uma história: a técnica artística é o que menos importa, pois, ao desenhar, a criança está contando uma história particular, única, que existe dentro da cabeça dela. Se os pais forem observadores e participativos, poderão ter conversas muito interessantes para descobrir, através do desenho, o que a criança gosta, pensa e sente.




-Não  existe desenho feio: nunca desencoraje uma criança, pois para você aquela imagem pode não fazer o menor sentido, mas para ela faz. Críticas negativas só irão causar bloqueio criativo.

- É uma forma de perceber os sentimentos: ao desenhar, a criança exterioriza suas percepções de mundo, suas sensações. Essa atividade faz com que ela entre em contato com suas emoções de uma forma mais profunda.



("Segundo Lourdes Atié, socióloga e especialista em educação infantil pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), é possível que, ao ser questionada sobre o significado do que desenhou. a criança até descreva uma história mirabolante".)

- Rabiscos também são desenhos: até os 3 anos, você dificilmente verá um desenho concreto, mas isso não significa que eles não estejam expressando o que a criança sente, entende e percebe do mundo, por isso incentive.

- O que o desenho diz: crianças que geralmente desenham objetos ou pessoas pequenas tendem a ser mais introvertidas e retraídas; já as que gostam de ocupar espaço no papel são expansivas, soltas e mais livres. As cores utilizadas e a força com que ela usa lápis também podem demonstrar aspectos emocionais.

A dica é: não deixe que este seja um momento isolado da criança. Interaja e aproveite para que se torne em algo prazeroso para você também. Retome seu lado infantil e se deixe levar pela imaginação, o que pode servir de verdadeira terapia, inclusive. Explore a criatividade e torne esta prática em mais um ponto a favor desta relação de amor.  Quem sabe vocês criem juntos um cantinho especial de pintura. Convide parentes e amigos para visitar a exposição dos desenhos preferidos. Estas são sugestões que ajudarão a estimular a autoconfiança e a criatividade pulsante que habita em cada serzinho.



Divirtam-se e mãos à obra!








terça-feira, 15 de setembro de 2015

Começando a brincadeira!

A sensibilidade da alma nasce intacta como um diamante bruto. Lapidando cuidadosamente as jóias que chamamos de crianças, descobrimos na pureza as maravilhas que elas têm a nos oferecer. É preciso incentivo e amor, regar e cuidar para que possam aflorar e florescer. Na arte, a regra é ser livre para que a espontaneidade ganhe cor, vida e sentido. Divertindo a arte, vamos espalhar alegria por toda parte num imenso colorido!